Sua cidade como você nunca viu
Ribeirão Preto, 01 de agosto de 2010
Sábado, 31 de julho
Fonte: Transerp
Esqueça Salve Geral. O candidato a melhor filme brasileiro do ano atende pelo nome de Besouro, estreia do premiado diretor de publicidade João Daniel Tikhomiroff na telona.
Passado nos anos 1920, época em que a escravidão havia acabado apenas nos livros de história do Brasil, o filme faz uso de belas metáforas para mostrar como o candomblé, a capoeira e os próprios negros tiveram que batalhar para fazer valer o que pregava a assinatura da princesa Isabel. Se tais direitos são respeitados até hoje, aí já é um outro capítulo da história.
Tikhomiroff tem como grande mérito sair do lugar comum do atual cinema brasileiro - comédia escrachada ou violência urbana -, para fazer um filme de artes marciais. E assim ganhamos nossa versão em verde e amarelo de Bruce Lee, Van Damme ou Daniel San.
Manoel Henrique Pereira, o Besouro, ganhou fama no início do século passado com seu jogo perfeito de capoeira. Muitos dizem que ele era capaz até de voar. Aprendeu seus golpes com Mestre Alípio, a quem devia proteger, mas por vaidade, acabou baixando a guarda em sua missão. Escondido na mata, sob a proteção dos orixás, Besouro parte para a vingança contra os coronéis na base da inteligência e de sua ginga de corpo.
Se as cenas de luta são poucas, o que pode deixar frustrados os fãs dos filmes do gênero, o momento em que Besouro e Quero-Quero jogam capoeira sobre o galho de uma grande árvore não fica devendo nada para o cinemão gringo.
No final, num ponto bem amarrado do roteiro - um dos melhores pontos de virada vistos recentemente -, ficamos sabendo que nosso Super-Homem do Recôncavo Baiano também tem sua kriptonita. Uma faca esculpida num pau de ticum é a única arma capaz de ferir o corpo fechado de Besouro Cordão de Ouro. Fim do voo. Início da lenda. E Manoel Henrique Pereira é cantado até hoje nas rodas de berimbau. Zum zum zum, Besouro Magangá | Bateu foi na polícia | De soldado à general!. (Angelo Davanço)