Sua cidade como você nunca viu
Ribeirão Preto, 01 de agosto de 2010
Sábado, 31 de julho
Fonte: Transerp

Volta e meia o cinema traz à tona os horrores patrocinados pelos nazistas contra os judeus. Seja de forma direta e histórica, como em "A Lista de Schindler", seja de maneira poética, como em "A Vida é Bela". Ou então escancara a tristeza, mesmo que travestida em uma história inicialmente despretenciosa.
"O Leitor" (de Stephen Daldry, "As Horas") tem como pano de fundo o amor de verão de um garoto de 15 anos por uma mulher de 36, quase uma década após o fim da Segunda Grande Guerra. Trata-se de um amor tenso, às escondidas, como não poderia deixar de ser.
Hanna Schmitz (Kate Winslet) esconde alguns segredos. O aparente é o seu analfabetismo. O segredo que surge para mudar o destino do filme é a sua participação no Holocausto. Sem saber ler, pede para que o garoto, Michael Berg (primeiro, David Kross, depois, Ralph Fiennes), leia romances para ela. Sem saber discernir o que é certo ou errado, cumpre ordens dos nazistas para aniquilar pessoas inocentes. "O que o senhor faria?", pergunta ao juiz que comanda a sessão pública de julgamento.
Longe de fazer qualquer tipo de defesa de Hitler e seus seguidores, o filme mostra uma outra vítima dos nazistas. A mulher despreparada, que pensa estar fazendo um trabalho como outro qualquer ao contribuir para a morte de milhares de pessoas, e que assume sozinha os crimes que ajudou a cometer, por vergonha de admitir que não sabe ler ou escrever.
O fato é que o julgamento deixou marcas profundas, para sempre, na vida dos personagens. O amor de verão se prolongou e Hanna chega ao fim da vida tendo apenas Michael, o "seu garoto", em quem se apoiar. Um homem de feições tristes, contemplando uma beleza triste, irretocável, que valeu o Oscar de melhor atriz a Kate Winslet.
Se a tristeza do Holocausto não tem prazo de validade no mundo todo, "O Leitor" também deixa suas marcas, mesmo algum tempo depois do fim da sessão. Um filme que faz pensar e não apaga da memória aqueles olhares tristes. Um filme necessário. (AD)