ViaRibeirão

Sua cidade como você nunca viu

Ribeirão Preto, 01 de agosto de 2010

Tempo em Ribeirão

Fonte: CPTEC

Radares móveis

Sábado, 31 de julho

  • Caramuru - 60 Km/h
  • Costabile Romano - 60 Km/h
  • Maurilio Biagi - 70 Km/h
  • Presidente Vargas - 70 Km/h

Fonte: Transerp

Gente Que Lê - Galeno Amorim

Bordadeira de palavras

Dona Léia de Jesus não sabe ao certo como foi que aconteceu. Só sabe que, quando abre a gaveta das lembranças, a sensação é a mesma. Se vê vasculhando cada prateleira da biblioteca do velho Grupo Escolar. Está lá, em busca de algum livro de poemas.
Chegava a ficar horas por ali. Lendo, ouvindo, vivendo. A intensidade era tal que ela mesma não aguentava. Precisava por pra fora e compartilhar aquilo que sua alma de menina transbordava. Decidiu, então, que escreveria.
Ainda não completara dez anos quando rabiscou os primeiros versos. Léia também gostava de declamar nas festas da escola. Lia bem e interpretava com gosto e paixão cada palavra.
Pacientemente, também tecia os próprios poemas.

***

A menina cresceu, casou, teve filhos. Depois, os netos. Entre as mil e uma tarefas do cotidiano de mulher e mãe, um dia ela começou a bordar. Tecia e, em seguida, vendia, ela própria, pelas ruas de Bebedouro, fronhas, lençois e vestidos.
A família mudou pra Ribeirão e ela foi morar na Vila Tibério. Logo sua arte ganharia as vilas e bairros da nova cidade. As sacolas pesadas chegavam a doer as mãos. Mas ela tinha um sonho. E foi atrás dele:
- Eu saía antes do sol nascer. Só voltava depois que ele já tinha se ido... - ela lembra.

***

Só que os versos não saíam da sua cabeça. Entre um e outro bordado, ela foi enchendo cadernos e mais cadernos. Há pouco tempo, Dona Léia, 78 anos, publicou seu primeiro livro: Caminhar.
Ela precisou até vender o carro pra pagar a publicação. Mas valeu a pena, ela diz. Agora, resolveu escrever a saga da família desde sua saída de Portugal. Dona Léia quer que os filhos, netos e bisnetos leiam e se sintam dentro do navio na longa viagem. Que eles entrem, sintam o cheiro e apalpem cada canto de casa onde os ancestrais um dia estiveram.
O livro é em prosa. Mas é certo que será poesia pura.

Dulce NevesRADIOGRAFIA

OS LIVROS NA VIDA DE DULCE NEVES

Dos 5 aos 10 anos:
O Raul da Ferrugem Azul, de Ana Maria Machado

Dos 10 aos 15 anos:
Um Estranho no Espelho, de Sidney Sheldon

Dos 15 aos 20 anos:
O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry

Dos 20 aos 30 anos:
O Príncipe, de Maquiavel

Hoje em dia:
O Vendedor de Sonhos, de Augusto Cury

"A leitura enriquece o homem e o faz despertar para o conhecimento e a reflexão crítica."
Padre Chico

Galeno Amorim é jornalista e escritor. Leia mais no www.blogdogaleno.com.br. Mande sua história de leitor para galeno@blogdogaleno.com.br



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