Sua cidade como você nunca viu
Ribeirão Preto, 01 de agosto de 2010
Sábado, 31 de julho
Fonte: Transerp

A cada ano, surge por lá uma nova centena deles. E o ritual se repete, ano após ano, sem interrupção, e não é de hoje. Primeiro, saem atrás de inspiração. E, em seguida, à cata de informações que possam ajudar. Pesquisam na internet, vão à biblioteca. Leem de tudo, sobre o que vão escrever e também sobre nada disso, por prazer mesmo.
Só então, botam no papel.
E o que sai são poemas simples. Simples e bonitos. Escritos por crianças de nove, dez anos de modo singelo. Com doçura, inocência e sinceridade. E, sobretudo, com a força da poesia que já brota da sua alma infantil.
Mais tarde, com paciência e esmero, alguém juntará todos eles. O resultado final será um livrão de poemas, lançado todo ano no anfiteatro da escola. Com pompa, festa, direito a autógrafos e a presença do pai e da mãe - enfim, com tudo o que esses novos escritores merecem.
Isso já faz parte da rotina dos meninos e meninas do Colégio Metodista, escola tradicionalíssima de Ribeirão que acaba de completar 110 anos. Os professores gostam de livros, a direção apóia e, ao menos uma vez por semana, todo mundo vai à biblioteca. Pega um livro, leva pra casa e lê. Depois, fala ou escreve sobre isso.
E uma vez por ano, então, a escola faz chegar à praça sua Antologia Poética, que já conta 12 volumes.
Mais tarde, nos saraus, é bonito de ver e ouvir a meninada dizendo, com gosto, os versos que trouxe à luz. Com isso, diz a professora Rita Mourão, que também é da Academia Ribeirão-pretana de Letras e entusiasta da ideia, eles vão bem na escola. Mais que isso: eles vão bem na vida!
Graças a uma nova habilidade para se manifestar e dizer a outras pessoas o que sentem e o que pensam sobre as coisas todas, esses meninos e meninas tornam-se pessoas mais confiantes. Lá fora, isso fará toda a diferença.
É verdade que alguns acabam tomando gosto pela coisa e continuam a ler e a escrever poemas. Com isso, acabam (como aconteceu, este ano, na Feira do Livro, com o Prêmio de Literatura Cora Coralina) até faturando prêmios por aí.
No mínimo, passam a perceber a vida com outros olhos. Os olhos da beleza...
RADIOGRAFIADos 5 aos 10 anos:
O Gato de Botas, de Charles Perrault
Dos 10 aos 15 anos:
O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry
Dos 15 aos 20 anos:
A Queda da Casa de Usher, de Edgar Allan Poe
Dos 20 aos 30 anos:
Confesso que Vivi, de Pablo Neruda
Dos 30 aos 40 anos:
Auto-Engano, de Eduardo Giannetti
Hoje em dia:
A Arte da Guerra, de Sun Tzu
Galeno Amorim é jornalista e escritor. Leia mais no www.blogdogaleno.com.br. Mande sua história de leitor para galeno@blogdogaleno.com.br