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Ribeirão Preto, 01 de agosto de 2010

Tempo em Ribeirão

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Sábado, 31 de julho

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Fonte: Transerp

Viva o cinemão brazuca comercial

É bem melhor que a chatice de "A Festa da Menina Morta" ou a comediazinha "Os Normais 2"

Delcy Mac Cruz*

Ou o cinemão nacional encontra meios de caminhar pelas próprias pernas, ou terá que se manter vivo graças à legislação, que obriga as salas a exibirem produções nacionais de quando em quando. Diante a produção atual, fica evidente que quem manda é a ditadura televisiva - leia-se TV Globo, com seus diretores, roteiristas e atores, de preferência com mesmo perfil de quando estão na telinha. Ou, então, é a produção que um dia foi marginal, udigrudi, independente, underground, maldita, e chata, chata que só agrada a meia dúzia de amiguinhos de plantão.

Quer um exemplo? "A Festa da Menina Morta', do (ótimo) ator Matheus Nachtergaele em sua estreia como diretor. A história está lá (um rapaz que interage com a tal menina e, por isso, é chamado de santinho), os personagens são ricos, o regionalismo mais rico ainda, mas o filme demora a pegar, faz o espectador ir de um lado a outro, pensar na vida, nas contas, na cama. É um sofrimento que só fica na patinação. É o típico filme que alunos de cinema ficam horas discutindo - e há o que discutir. Mas o público convencional, grande mantenedor dos impostos que sustentam a indústria cinematográfica, não quer discussão. Quer é diversão.

Então lhe sobra o estilo TV Globo que gera episódios de séries que fazem rir por meia hora, caso de "Os Normais 2", mas soa bobinho ao recorrer a gags e cenas de pastelão da recente safra de comédias americanas (como a de Fernanda Torres, chapada, que encosta em médico, que empurra uma velhinha para fora do edifício).

veronicaNo meio dessa corrente (estilo TV Globo e cinema 'independente'), há produções feitas sem um e outro apelo, focadas no público, com atores bons, roteiro eficaz, sem furos, direção segura e música idem. É o cinemão comercial. Um exemplo, que passou batido nas salas, mas goza certo prestígio nas locadoras, é "Verônica", de Maurício Farias. Nem vou falar muito da protagonista, Andréia Beltrão, um furacão de atriz. Mas sua personagem carrega o amargor de quase todos nós - embora a seu jeito.

Trintona, infeliz, descasada, mãe internada em hospital público, professora da rede municipal carioca há 20 anos. Está à beira do estresse, evidente. Diante desse quadro, a redenção virá pelas mãos de mais desgraça: ela terá que cuidar de um garoto cujos pais foram assassinados por traficantes, e que agora o perseguem - e a polícia, que fez acordo com os criminosos, também vai atrás do menino.

É certo que a partir do quadro montado, o filme descamba para qualquer produção típica com a atriz americana Jodie Foster, que pega as armas e sai na porrada defendendo seus interesses. Verônica (nome do personagem de Andréia) faz isso. E segura a atenção do espectador do começo ao fim, com uma trilha de fôlego feita pelo titã Branco Mello. Exigir mais o que? Está tudo aí. Claro, claro, o filme fracassou porque é feito com pobres e é vítima da sentença de que ninguém, seja rico ou miserável, quer ir ao cinema para ver pobre. Por isso "Linha de Passe" fracassou. "Tropa de Elite" não entra nessa porque é super-produção. Andréia, aliás, protagoniza o que parece uma grande produção que deve render: "Salve Geral".

Em seu blog, o crítico Luiz Carlos Merten já disparou que "Salve Geral" foi feito com dinheiro do Governo Federal, mas que ataca o governo paulista tucano porque lida com os ataques do PCC em 2006, quando o governador de SP era Geraldo Alckmin, possível candidato do partido ao governo paulista e companheiro de José Serra, virtual candidato tucano à Presidência. Bom, se é pra gerar polêmica, vamos primeiro ver o filme. E que seja bom, independente do viés editorial que tenha por trás.

*Jornalista, editor do site Agroind



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