Sua cidade como você nunca viu
Ribeirão Preto, 05 de setembro de 2010
Sexta, 03 de setembro
Fonte: Transerp
Rodrigo Oliveira *
Basta ir até a última cabine do banheiro, apertar três vezes a descarga, falar três palavrões e dar três chutes no vaso sanitário que ela aparece. Não, querido leitor, não estou me referindo a moça da limpeza. Estou falando da assombração mais popular de todos os tempos. Com certeza você já ouviu falar sobre ela e é bem provável que, na sua época de escola, tenha deixado para fazer xixi em casa, só para não entrar no banheiro do colégio.
Sim, ela provoca medo, aversão e pavor. Ela é a loira do banheiro!!!!
Mas uma dúvida sempre me perseguiu. Por que tinha que ser uma loira?
Porque não poderia ser a morena do banheiro, a ruiva do banheiro ou a afro-descendente do banheiro. Andei investigando o assunto e descobri que isso provavelmente foi influência da mídia. Afinal o cinema e a televisão sempre venderam a ideia de que todo fantasma é dinamarquês. Por exemplo, o cara que morre no filme "Ghost". Um puta alemão! Eles podiam matar o Morgan Freeman, o Denzel Washington, o Wesley Snipes ou até mesmo o Eddie Murphy, mas não! Mataram quem? O Patrick Swayze, que é loiro.
O espírito da Novela "A Viagem" era o Guilherme Fontes, que é loiro e do olho verde. Até o Gasparzinho no fim do filme consegue voltar á vida e vira um menininho loiro.
Que negócio é esse! Até parece que só as pessoas loiras que morrem.
Se um queniano cair duro no meio da São Silvestre. Ele ressuscita por acaso?
Mas no cinema é sempre assim. "Titanic" é um ótimo exemplo. No final do filme o vilão da história, que é moreno, continua vivo. A mocinha, que é ruiva, continua viva. E quem é que morre? Leonardo Di caprio. Todo loirinho dos olhos verdes.
Tudo isso só serve para propagar essa ideia absurda que todo fantasma tem que ser branquinho. O Penadinho é branco, o Gasparzinho é branco, o Pluf o fantasminha é branco. Quer dizer que quando a gente morre a melanina fica? Claro que não!
Ou seja, se o falecido for um pouco mais escurinho ele não tem nem direito a virar fantasma. Dá a impressão que não existe mercado de trabalho pra assombração de cor. Se um baita negrão morre e decide se tornar um poltergeist ele não consegue. Mas se uma loirinha oxigenada resolve virar um poltergeist, aí sim, tudo bem.
A Regininha Poltergeist, por exemplo, lembram do sucesso que ela fez? Foi o poltergeist mais famoso do Brasil. Fizeram até música para ela. E ela nem precisou morrer para isso! Tenha santa paciência!
* Rodrigo Oliveira é publicitário e humorista do grupo Humor a Primeira Vista. Leia mais no site www.humoraprimeiravista.com.br. Entre em contato com o autor pelo e-mail rodrigo@humoraprimeiravista.com.br