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	<title>Via Ribeirão</title>
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		<name>Via Ribeirão</name>
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	<tagline>Sua cidade como você nunca viu - Ribeirão Preto/SP</tagline>
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		<title>Abdução</title>
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		<issued>2010-07-23T09:53:19-03:00</issued>
		<modified>2010-07-23T09:53:43-03:00</modified>
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			<![CDATA[<h2>Abdução</h2><p><em>Rodrigo Oliveira *</em></p><p>Nem bem raiou o dia e uma senhora sai de casa para regar as flores do seu jardim, como faz todas as manhãs. Mas, antes que ela possa dar um banho matinal em suas petúnias é surpreendida pelo vizinho da casa ao lado, que sai pela porta da sala com os cabelos desgrenhados e profundas olheiras. Ela não demora a cumprimentá-lo:<br />- Bom dia vizinho! Acordou cedo hoje, heim?<br />- Eu não estava dormindo. Eu acabei de passar por uma abdução, responde o homem num fiapo de voz.<br />- Você? Não acredito!<br />- Verdade.<br />- Gente! Mas... mas, parece que não mudou muita coisa. Esses pneuzinhos não deviam ter desaparecido?<br />- Vizinha, você sabe o que é uma abdução?<br />- Claro que sei! É uma operação para tirar aquelas gordurinhas indesejáveis.<br />- Isso é lipoaspiração. Abdução é outra coisa.<br />- Tem razão! Lipoaspiração. É mesmo! Abdução é outro tipo de operação. <br />- Como outro tipo de operação?<br />- Para reduzir o abdômen. Abdução.<br />- Não é nada disso! Introduziram uma sonda dentro do meu corpo, afirma o vizinho, começando a suar com a lembrança - Mas não uma sonda qualquer. Foi uma sonda anal.<br />- Quando você diz anal quer dizer que é uma vez por ano?<br />- Não! Eu quero dizer que doeu muito!<br />- Mas qual o objetivo desta sonda?<br />- Eles querem descobrir tudo sobre nossa raça. Pesquisar o corpo humano.<br />- Mas tinha que começar justo por ali. Você tem certeza?<br />- Sim, eu fui ao banheiro hoje de manhã e expeli a sonda.<br />- Olha, vai ver era uma outra coisa que parecia uma sonda. <br />- Não, eu tenho certeza, o vizinho aproxima-se mais da velha e começa a confidenciar diminuindo um pouco o tom da voz - Ontem eu estava voltando para casa no meu carro. A noite estava nublada e não se via uma só estrela. Eu observei o relógio na torre da igreja e já passava das onze da noite, porém meu relógio de pulso ainda marcava dez e vinte e três.<br />- Seu relógio estava atrasado?<br />- Não! Havia parado. Por causa das ondas magnéticas.<br />- O que são ondas magnéticas?<br />- As ondas magnéticas provocam danos em todos os aparelhos eletrônicos. Relógios digitais, rádios, celulares, laptops, ipods, tudo.<br />- E como você pode ter tanta certeza que foi atingido por uma onda magnética?<br />- Por que meu bichinho virtual morreu!, responde o vizinho exibindo o aparelhinho redondo que havia comprado num camelô - Mas o problema não é a onda em si. Mas o que a provoca.<br />- E o que é?<br />- Um OVINI.<br />- O que?<br />- OVINI. Um Objeto Voador Não Identificado. São objetos que transitam pelo céu, mas poucas pessoas conseguem ver.<br />- Pela sua descrição tá parecendo os aviões da TAM quando os operadores do voo entraram em greve.<br />- Os OVINIs não são aviões. São discos. As ondas emanavam do disco.<br />- Que disco?<br />- O que acompanhava meu carro.<br />- Teu carro tem toca discos. Não era mais fácil instalar um CD player.<br />- O Disco Voador.<br />- Um disco voador? Já sei era do Barão Vermelho. Ou então do Aerosmith.<br />- Não brinque com isso. O Disco acompanhava meu carro há exatamente 37 minutos. Por isso meu relógio parou. Neste momento eu vi luzes no céu.<br />- Estava rolando uma rave?<br />- Não! Eram as luzes do disco. Eu parei o carro e desci. Foi aí que um facho de luz envolveu meu corpo e eu comecei a subir.<br />- Você está me dizendo que o disco voador conseguiu te fazer subir só com um facho de luz?<br />- Sim.<br />- Quanto você pesa?<br />- Cento e dois quilos.<br />- Você tem certeza que não era um guincho?!<br />- Tenho. Eu entrei no disco e dezenas de criaturinhas com antenas vieram me saudar. Eles não moveram os lábios, mas conseguiram se comunicar comigo.<br />- Usaram a linguagem surdo-mudo? <br />- Errado! Foi por telepatia. E me disseram que eles desejam criar um ébrio de homem e alien e por isso precisavam da minha colaboração. Então eles tiraram a minha roupa.<br />- E você não reagiu?<br />- Eu não consegui mover meus músculos. Permaneci imóvel enquanto eles me despiam e depois besuntaram meu corpo com um óleo lubrificante.<br />- Tem certeza que você não estava num clube de striptease?<br />- Neste momento todas as criaturas saíram do aposento e uma outra criatura entrou, mas desta vez era uma fêmea. Ela estava nua e fez sinais para me indicar que desejava copular.<br />- Que tipo de sinais?  <br />- Você sabe, aquele olharzinho de lado, aquele sorrisinho maroto, aquela jogadinha de cabelos...<br />- Tá bom! Já entendi. Já entendi.<br />- Passamos a noite toda juntos. E quando acordei eu estava de volta ao meu carro, completamente nu e com a desagradável sensação de que uma sonda havia sido inserida dentro de meu corpo.<br />- Falando sério! Você tem certeza de que era uma sonda?<br />- O que você está querendo dizer?<br />- Bom... depois de tudo que você contou. Existem certos... hã... brinquedinhos que se vendem nos sex shops e talvez a moça tenha feito uma inversão de papeis. Sei lá!<br />- Já entendi tudo. Você não acredita em mim. Mas fique sabendo que eles estão entre nós. Observando, analisando, experimentando. Aguardando o dia da invasão para aniquilarem com a raça humana.<br />- Acho que o senhor anda trabalhando demais, sorri a vizinha com benevolência.<br />Irritado com o pouco caso da velha, o homem vira as costas e volta para casa resmungando. Não bastasse ninguém acreditar na sua experiência, os vizinhos ainda fazem gozação. Assim já é demais. Ele bate a porta da sala resolvido a não contar mais nada para ninguém.<br />A vizinha observa a cena tranquila e quando percebe que ele finalmente está fora de vista, tira um pequeno radiotransmissor do bolso, digita um código binário e avisa aos seus superiores:<br />- Alfa Omega para nave mãe. Ele já se foi. Acho melhor prepararmos outra abdução. Ele expeliu a sonda.</p><p><em>* Rodrigo Oliveira é publicitário e humorista do grupo Humor a Primeira Vista. Leia mais no site <a href="http://www.humoraprimeiravista.com.br"><strong>www.humoraprimeiravista.com.br</strong></a>. Entre em contato com o autor pelo e-mail <a href="mailto:rodrigo@humoraprimeiravista.com.br"><strong>rodrigo@humoraprimeiravista.com.br</strong></a></em></p><p> </p>]]>
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		<title>A loira do banheiro</title>
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		<issued>2010-05-17T09:08:37-03:00</issued>
		<modified>2010-07-23T09:26:39-03:00</modified>
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			<![CDATA[<h2>A loira do banheiro</h2><p><em>Rodrigo Oliveira *</em></p><p>Basta ir até a última cabine do banheiro, apertar três vezes a descarga, falar três palavrões e dar três chutes no vaso sanitário que ela aparece. Não, querido leitor, não estou me referindo a moça da limpeza. Estou falando da assombração mais popular de todos os tempos. Com certeza você já ouviu falar sobre ela e é bem provável que, na sua época de escola, tenha deixado para fazer xixi em casa, só para não entrar no banheiro do colégio.</p><p>Sim, ela provoca medo, aversão e pavor. Ela é a loira do banheiro!!!!</p><p>Mas uma dúvida sempre me perseguiu. Por que tinha que ser uma loira?<br />Porque não poderia ser a morena do banheiro, a ruiva do banheiro ou a afro-descendente do banheiro. Andei investigando o assunto e descobri que isso provavelmente foi influência da mídia. Afinal o cinema e a televisão sempre venderam a ideia de que todo fantasma é dinamarquês. Por exemplo, o cara que morre no filme "Ghost". Um puta alemão! Eles podiam matar o Morgan Freeman, o Denzel Washington, o Wesley Snipes ou até mesmo o Eddie Murphy, mas não! Mataram quem? O Patrick Swayze, que é loiro.</p><p>O espírito da Novela "A Viagem" era o Guilherme Fontes, que é loiro e do olho verde. Até o Gasparzinho no fim do filme consegue voltar á vida e vira um menininho loiro.</p><p>Que negócio é esse! Até parece que só as pessoas loiras que morrem.<br />Se um queniano cair duro no meio da São Silvestre. Ele ressuscita por acaso?</p><p>Mas no cinema é sempre assim. "Titanic" é um ótimo exemplo. No final do filme o vilão da história, que é moreno, continua vivo. A mocinha, que é ruiva, continua viva. E quem é que morre? Leonardo Di caprio. Todo loirinho dos olhos verdes.</p><p>Tudo isso só serve para propagar essa ideia absurda que todo fantasma tem que ser branquinho. O Penadinho é branco, o Gasparzinho é branco, o Pluf o fantasminha é branco. Quer dizer que quando a gente morre a melanina fica? Claro que não!</p><p>Ou seja, se o falecido for um pouco mais escurinho ele não tem nem direito a virar fantasma. Dá a impressão que não existe mercado de trabalho pra assombração de cor. Se um baita negrão morre e decide se tornar um poltergeist ele não consegue. Mas se uma loirinha oxigenada resolve virar um poltergeist, aí sim, tudo bem.</p><p>A Regininha Poltergeist, por exemplo, lembram do sucesso que ela fez? Foi o poltergeist mais famoso do Brasil. Fizeram até música para ela. E ela nem precisou morrer para isso! Tenha santa paciência!</p><p><br /><em>* Rodrigo Oliveira é publicitário e humorista do grupo Humor a Primeira Vista. Leia mais no site <a href="http://www.humoraprimeiravista.com.br"><strong>www.humoraprimeiravista.com.br</strong></a>. Entre em contato com o autor pelo e-mail <a href="mailto:rodrigo@humoraprimeiravista.com.br"><strong>rodrigo@humoraprimeiravista.com.br</strong></a></em></p>]]>
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		<title>Música clássica</title>
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		<issued>2010-02-19T11:10:16-03:00</issued>
		<modified>2010-04-09T09:40:18-03:00</modified>
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			<![CDATA[<h2>Música clássica</h2><p><em>Rodrigo Oliveira *</em></p><p>Você acha que Beethoven é nome de cachorro?<br />Então, meu amigo, você precisa saber um pouco mais sobre musica erudita.<br />Até porque a música clássica ou erudita está repleta de grandes nomes. <br />Tchaikovsky, por exemplo, tem 11 letras. Sem dúvida é um grande nome.<br /><br />As melodias são maravilhosas, mas tenho a impressão que os compositores não tinham muita criatividade na hora de escolher um título para as músicas. Era sempre a mesma coisa: a 1ª sinfonia de Brahms, a 5ª sinfonia de Beethoven, a 9ª sinfonia de Mozart e por aí vai.<br />Mas antes assim! Já pensou se as músicas clássicas tivessem nomes super criativos como: Morango do Nordeste de Brahms, Eguinha Pocotó de Mozart ou A Lua me Traiu de Beethoven.<br />Não iria cair muito bem!<br /><br />Mas enfim, a música erudita é executada pelas orquestras sinfônicas.<br />A orquestra sinfônica é composta por cincos classes de instrumentos variados e é regida por um maestro. Que é aquele cara que fica na frente dos músicos mexendo um pauzinho de um lado para o outro.<br /><br />Mas eu acho que ele não controla os músicos com aquela vareta. Para mim ele ameaça as pessoas. Ele olha para o músico com cara de mal e aponta aquele pauzinho e diz:<br />- Olha se você não tocar direitinho, eu vou pegar essa vareta e vou dar na sua cara!</p><p><em>* Rodrigo Oliveira é publicitário e humorista do grupo Humor a Primeira Vista. Leia mais no site <a href="http://www.humoraprimeiravista.com.br"><strong>www.humoraprimeiravista.com.br</strong></a>. Entre em contato com o autor pelo e-mail <a href="mailto:rodrigo@humoraprimeiravista.com.br"><strong>rodrigo@humoraprimeiravista.com.br</strong></a></em></p><p> </p>]]>
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		<title>Celular de Preso</title>
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		<issued>2010-02-11T11:17:28-03:00</issued>
		<modified>2010-02-26T23:52:48-03:00</modified>
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			<![CDATA[<h2>Celular de Preso</h2><p><em>Rodrigo Oliveira *</em></p><p>Hoje em dia todo preso que se presa tem celular. Eu sei disso, você sabe disso e a policia sabe disso. Só que a policia não consegue tirar o celular dos presos. Sabe por que? Porque entre o preso e o celular existe uma relação muito íntima. Tão intima que inclui até penetração.</p><p>Sim, esta é uma das artimanhas que os inventivos detentos criaram para que os aparelhos celulares pudessem entrar, sair e circular livremente dentro da cadeia. A penetração telefônica.</p><p>É por isso que para eles o mais importante no celular não são as funções e sim o design. Ou seja, não basta ter câmera de vídeo, câmera fotográfica, MP3 e acesso a internet. Não! O mais importante é ter as bordas arredondadas e entrar suave.</p><p>Pode ser que para alguns dos leitores, a ideia de dormir na cadeia com um Motorola enfiado na bunda pareça um pouco, digamos, deselegante.<br />Mas esse hábito cultivado pelos presos tem sim suas vantagens e eu posso provar.</p><p>Em primeiro lugar você não corre o risco de esquecer onde deixou o aparelho. Em segundo lugar, se discutir com alguém pelo telefone e a pessoa mandar você enfiar o celular naquele lugar, você não vai ter nenhuma dificuldade. Aliás, dá até para responder: - Puxa vida! Acabei de tirar!</p><p>Em terceiro lugar, e esta provavelmente é a melhor de todas as vantagens, ninguém vai ter coragem de pedir o seu celular emprestado. E se alguém pedir, você dá um peido e a pessoa desiste.</p><p>É lamentável, mas é verdade. Hoje em dia os presos estão muito mais preocupados com os planos de minutos do que com os planos de fuga.<br />Tanto é que os policiais ao abordar um bandido não deveriam dizer: - Você tem direito há um telefonema. Afinal, dependendo da prestadora ele pode falar 1 minuto e ganhar 30 de bônus.</p><p>Eu acho que a polícia deveria aceitar essa situação de uma vez. E quando um policial fosse prender um bandido ele deveria simplesmente dizer:<br />- Você tem direito a 10 centavos o minuto de Claro para Claro.</p><p><em>* Rodrigo Oliveira é publicitário e humorista do grupo Humor a Primeira Vista. Leia mais no site <strong><a href="http://www.humoraprimeiravista.com.br">www.humoraprimeiravista.com.br</a></strong>. Entre em contato com o autor pelo e-mail <a href="mailto:rodrigo@humoraprimeiravista.com.br"><strong>rodrigo@humoraprimeiravista.com.br</strong></a></em></p><p> </p>]]>
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		<title>A outra metade da laranja</title>
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		<issued>2009-12-28T09:52:12-03:00</issued>
		<modified>2010-01-25T11:23:18-03:00</modified>
		<summary type="text/html" mode="escaped" xml:lang="pt-BR" xml:base="http://www.viaribeirao.com/">
			<![CDATA[<h2>A outra metade da laranja</h2><p><em>Rodrigo Oliveira *</em></p><p>Toda mulher solteira garante que permanece nesta situação porque ainda não encontrou um homem ideal. Mas meninas, não se desesperem! Fiquem sabendo que encontrar um namorado perfeito é como encontrar um banheiro num shopping. Você sabe que ele existe, só que é difícil de achar. Tanto é que no caso do banheiro como no caso do namorado, se você ficar desesperada, aí é que você não acha mesmo.</p><p>Por isso acredito que ninguém deva sair pelo mundo procurando a outra metade da laranja. Quem sai pelo mundo procurando a outra metade da laranja não está pensando em casamento. Está pensando em montar uma quitanda. Isso é pior que pedofilia! Isso é pior que zoofilia! Isso é hortifrutifilia!!!</p><p>Não, eu não! Não faço esse tipo. Jamais vou sair por aí procurando pela minha cara metade. Aliás, esse é um termo que eu nem consigo entender. Cara metade? Como é que uma coisa pela metade pode ser tão cara. Eu prefiro procurar uma inteira por um preço mais acessível.</p><p>O problema é que muitas pessoas permanecem solteiras porque afirmam que ainda não encontraram a tampa da sua panela. Conheço uma pessoa que chegou ao ponto de se inscrever num site de relacionamentos dizendo que estava disposta a tudo para encontrar a tampa da sua panela. Eu respondi: meu amigo você entrou no site errado. Você quer encontrar a tampa da sua panela então digita aí "www.tramontina.com.br".</p><p>E no caso das mulheres é pior ainda. Afinal, toda mulher diz que depois do casamento não quer passar os dias enfiada numa cozinha. Mas se a pessoa começa uma relação procurando a tampa da panela onde é que ela pensa que vai terminar? É na cozinha, ué!</p><p>Por isso que eu acho que para encontrar o amor você não pode se desesperar. É só saber observar com atenção. O grande amor da sua vida pode estar onde você menos espera. Você pode encontrá-lo no trabalho, na faculdade, na rua, no elevador, num banheiro químico, num camburão, são tantas as possibilidades.</p><p>Minha tia, por exemplo, encontrou o grande amor da sua vida quando foi numa churrascaria. Ela foi almoçar, sem maiores pretensões, sentou-se à mesa e o garçom veio servi-la. Ele colocou o espeto sobre a mesa e perguntou: - Aceita coração? Ela aceitou na hora. Claro que depois do coração, ela teve que aceitar a picanha. Mas essa é outra história.</p><p><em>* Rodrigo Oliveira é publicitário e humorista do grupo Humor a Primeira Vista. Leia mais no site <a href="http://www.humoraprimeiravista.com.br"><strong>www.humoraprimeiravista.com.br</strong></a>. Entre em contato com o autor pelo e-mail <a href="mailto:rodrigo@humoraprimeiravista.com.br"><strong>rodrigo@humoraprimeiravista.com.br</strong></a></em></p><p> </p>]]>
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		<title>Tradições de casamento</title>
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		<issued>2009-11-30T09:47:16-03:00</issued>
		<modified>2009-12-28T09:53:39-03:00</modified>
		<summary type="text/html" mode="escaped" xml:lang="pt-BR" xml:base="http://www.viaribeirao.com/">
			<![CDATA[<h2>Tradições de casamento</h2><p><em>Rodrigo Oliveira*</em></p><p>Dizem que todo mundo chora em casamento. E eu sempre me perguntei qual o motivo.<br />Será que todo mundo chora de alegria? Quem garante que ali no meio do pranto não tem uma ou outra chorando de inveja da noiva? <br />Quando é parente chorando ainda vai. Mas quando é um dos noivos eu sempre desconfio. Será que aquela pessoa queria mesmo casar?</p><p>Uma vez fui há um casamento em que a noiva ficou muito emocionada na hora de colocar as alianças e não conseguiu conter as lágrimas. Ela começou a chorar tanto que uma senhora que estava sentada ao meu lado não se conteve e disse:<br />- Se ela está chorando assim agora, imagina daqui a uns dez anos!</p><p>Pois é! Não dá para entender certas coisas que só acontecem nos casamentos. Principalmente quando se trata das tradições.<br />Por exemplo, eu não consigo entender porque as pessoas jogam arroz em cima dos noivos. Aliás, acho essa tradição muito perigosa. Tenho um amigo que perdeu um olho por causa disso.</p><p>Segundo a tradição o arroz simboliza fartura, mas para mim isso é um desperdício. <br />Duvido muito que em países como a África, onde as pessoas passam fome, eles fiquem jogando arroz para cima. A não ser que ainda exista por lá alguma tribo de canibais. Nesse caso eles jogam arroz sobre os noivos, depois jogam salsinha, jogam manjericão e para terminar enfeitam tudo com um padrinho picado em rodelas.</p><p>Existe também aquela tradição que diz que o noivo não pode ver a noiva vestida antes do casamento. É engraçado! Não pode ver ela vestida antes, mas pode ver ela despida depois. E com certeza para o noivo o vestido não faz tanta diferença assim.</p><p>Em alguns casos a noiva manda fazer o vestido, em outros ela aluga. Mas quando a família da noiva é pobre geralmente o mesmo vestido é passado de geração para geração. Foi o que aconteceu com a minha família.<br />Depois que a minha avó se casou o vestido da noiva passou para minha tia, que depois passou para minha mãe, que depois passou para minha outra tia, que depois passou para minha prima e que na semana passada passou para a filha da minha cunhada. Cá entre nós, passou para tanta gente que já não dá para saber se aquilo é um vestido ou uma virose.</p><p>E para terminar, quem será que inventou aquela tradição cretina de vender a gravata do noivo durante as festas de casamento? Não basta o dinheiro que você gasta com o chá de cozinha, o dinheiro que você gasta com o presente dos noivos e o dinheiro que você gasta com o aluguel dos trajes. Eles ainda têm coragem de arrancar o que sobrou vendendo um retalho de gravata. Ainda que fosse a gravata inteira. Mas só um retalho!<br />Só de olhar para a gravata do noivo já me da um nó na garganta. Porque eu sei que eu vou ter que gastar dinheiro com aquilo. Cinco dígitos é o limite para você colaborar e não ouvir comentários. Afinal todo mundo fica olhando para saber quanto você vai pagar pela gravata. Experimente pagar com uma nota de cinco reais. Com certeza não vão mais servir salgadinhos na sua mesa.</p><p>Sinceramente eu acho que se é para arrecadar dinheiro, ao invés da gravata do noivo, eles deveriam vender a calcinha da noiva. Iria arrecadar muito mais!</p><p><em>* Rodrigo Oliveira é publicitário e humorista do grupo Humor à Primeira Vista. Leia mais no site <a href="http://www.humoraprimeiravista.com.br"><strong>www.humoraprimeiravista.com.br</strong></a>. Entre em contato com o autor pelo e-mail <a href="mailto:rodrigo@humoraprimeiravista.com.br"><strong>rodrigo@humoraprimeiravista.com.br</strong></a></em></p><p> </p>]]>
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		<title>Nota de corte</title>
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		<issued>2009-12-13T17:49:04-03:00</issued>
		<modified>2009-12-28T09:53:15-03:00</modified>
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			<![CDATA[<h2>Nota de corte</h2><p><em>Rodrigo Oliveira*</em></p><p>Uma das melhores sensações do mundo é encontrar seu nome da lista de aprovados do vestibular. Mas isso pode ser difícil caso seu sobrenome não seja Watanabe, Matsumura,Toshiro, Yamamoto,Fukayama,Sayuri ou Takahashy. Afinal, na lista do vestibular têm mais japoneses que no bairro da Liberdade, em São Paulo. Fica difícil saber se aquilo ali é uma lista para ingressar na faculdade ou uma lista para ingressar na Yakuza.</p><p>Como é que eles conseguem tudo isso? Persistência, dedicação ou seriam biscotinhos da sorte com o gabarito da Fuvest dentro?</p><p>Desisto! Sinceramente, qual é o segredo dos niseis, eu não sei. Só sei que para conquistar sua vaga na tão sonhada faculdade é preciso estudar tanto quanto eles. E acredite, enquanto você toma uma cervejinha no bar, assiste a novela ou faz as unhas, tem um japonês estudando para ganhar a sua vaga. Portanto se você não é japonês e deseja conseguir uma vaga terá que ser tão dedicado quanto eles.</p><p>Se você é uma garota, deixe os romances de lado. Daqui para frente os únicos homens de que você precisa são o Jorge Amado, o Eça de Queiros e o Gil Vicente. E nem pense em se acabar nas baladas. De agora em diante o ponto alto do seu dia será acordar as 5h40 para assistir ao Telecurso 2º <br />Grau.</p><p>O que? Já está pensando em desistir? De jeito nenhum. Saiba que passar no vestibular é tão complicado que alguns candidatos só conseguem uma vaga na universidade quando eles param o carro no estacionamento.</p><p>O grande problema, segundo os vestibulandos, é o branco. Pois na hora da prova eles tem um "branco tão branco" que poderiam ser contratados como garotos-propaganda de alguma marca de sabão em pó.</p><p>Infelizmente ter um branco na hora da prova significa que depois dela a coisa vai ficar preta. Principalmente se você não conseguir alcançar a maldita nota de corte. Para quem não sabe, a nota de corte é a quantidade de pontos que o candidato precisa para passar no vestibular. Ela tem esse nome porque quem estuda o ano inteiro e não consegue os pontos que precisa, acaba cortando os pulsos. Se o candidato não morrer, pelo menos ele sai do hospital com um número de pontos bem maior.</p><p>É por isso o apoio de um cursinho pré-vestibular é sempre bem vindo. E se você não conseguir neste ano. Tenha paciência e tente novamente no ano que vem.</p><p>Para ser sincero, conheço pessoas que estão fazendo cursinho para passar na faculdade há tanto tempo que quando elas começaram a estudar o cursinho não era nem pré-vestibular. Era pré-histórico! Isso me leva a pensar que se pessoa está tentando há tantos anos virar bicho, no dia em que conseguir, ela vai virar um fóssil.</p><p>E como se identifica um bicho recém aprovado? Cabeça raspada, tinta pelo corpo todo e um sorriso que vai de orelha a orelha. Mas se você comprou uma lata de tina para se pintar durante a comemoração e não foi aprovado, não desanime. Aproveite a tinta para dar uma segunda mão no seu apartamento. Se reprovar três anos seguidos é bem provável que consiga pintar todos os cômodos.</p><p>O importante é nunca desistir e ter muita paciência. Assim como nossos irmãos japoneses. Talvez seja a famosa paciência oriental o segredo de tanto sucesso nas provas. Mas só para garantir, antes de fazer a prova compre meia dúzia de biscoitinhos da sorte.</p><p><em>* Rodrigo Oliveira é publicitário e humorista do grupo Humor à Primeira Vista. Leia mais no site <a href="http://www.humoraprimeiravista.com.br/"><strong>www.humoraprimeiravista.com.br</strong></a>. Entre em contato com o autor pelo e-mail <a href="mailto:rodrigo@humoraprimeiravista.com.br"><strong>rodrigo@humoraprimeiravista.com.br</strong></a></em></p><p> </p>]]>
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		<title>Carnaval fora de época</title>
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		<issued>2009-10-23T11:22:57-03:00</issued>
		<modified>2009-12-01T10:50:35-03:00</modified>
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			<![CDATA[<h2>Carnaval fora de época</h2><p><em>Rodrigo Oliveira*</em></p><p>O ano tem 365 dias, 4 são de carnaval, o que sobrar é micareta. Nunca vou entender por que as pessoas chamam a micareta de carnaval fora de época. Afinal ela acontece de janeiro a dezembro e não fica fora de nenhuma época do ano. E, como todo mundo adora uma boa micareta, resolvi dar algumas dicas para você não pagar mico. Até porque, depois de pagar uma fortuna pelo seu abadá, você não vai conseguir pagar mais nada por um bom tempo.</p><p>Primeiro vamos falar do figurino. Chinelo de dedo, nem pensar! Micareta a gente pula de tênis. Se insistir em pular de chinelo você vai enviar suas havaianas para uma missão suicida.</p><p>E vamos esclarecer de uma vez. Abadá não é roupa, é convite. Usou, jogou fora. <br />Tem gente que guarda o abadá para ficar desfilando com ele na academia ou na faculdade. Uma vez  encontrei uma pessoa de abadá dentro de um batizado. O padre ficou tão chocado que em vez de batizar, ele deu a extrema unção no bebê! E digo mais, quando se trata de abadá, não é só vestir e pronto. Tem que fazer uma produção para se destacar dos outros. Cortar a manga, tirar a gola, transformar num top. Vale tudo, menos colocar o abadá dentro do liquidificador. Embora eu já tenho visto alguns modelos que pareciam ter passado por essa experiência.</p><p>De qualquer maneira, a minha sugestão é cortar o abadá nas mangas para você suar menos. A gente transpira muito pulando atrás do trio elétrico. Por isso acredito que a micareta é como uma maratona. E geralmente quem vence é o desodorante.<br />Alias, você já percebeu que todo vocalista de trio elétrico é sádico. Porque ele está lá no alto, está vendo o quanto as pessoas estão suando e ainda faz questão de gritar:<br />- Vamos levantar os braços, galera!</p><p>Agora vamos falar sobre comportamento. Na hora de sair pulando atrás do trio elétrico não feche seus olhos. Você pode acabar entrando no lugar errado. Eu mesmo já invadi um restaurante, um cinema e uma pizzaria. Mas minha pior experiência foi entrar de abadá e tudo dentro de um velório. Quando percebi fiquei completamente constrangido. Para tentar consertar a situação, virei para os parentes do falecido e gritei:<br />- Vamos lá, pessoal! Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu.</p><p>Pois é, a micareta é o paraíso dos solteiros. E é claro que eu não poderia deixar de lado o assunto mais gostoso de todos. O beijo de micareta, ou melhor, os beijos. Porque beijo de micareta é igual a papel toalha de shopping. Você tenta pegar um e vem cinco de uma vez. Posso garantir que o beijo de micareta é um assunto que não me intimida. Até porque já esta na ponta da língua! Só não compreendo como é que essa história de beijar muito na micareta ficou tão famosa. Nunca vi nenhuma reportagem na TV ou no jornal. Acho que foi tudo no boca a boca mesmo.</p><p>Boas opções não faltam para quem está desacompanhado. Afinal, micareta é lugar de gente bonita. Melhor dizendo, lugar de gente bonita é no camarote e no abadá. Porque geralmente no bloco da pipoca tem cada caruncho! Não quero dizer com isso que todas as pessoas que permanecem no bloco da pipoca sejam feias. Mas, a probabilidade de você encontrar um pretendente com a cara do seu buldogue de pelúcia é bem maior ali. E creio que existe um motivo para isso. Afinal da mesma maneira que as pipocas, os pretendentes com cara de buldogue só servem para encher o saco.</p><p>Cuidado para não exagerar nas bebidas. Embora digam por aí que o excesso de álcool não leva a nada, quero deixar claro que ele leva sim. Leva ao pronto socorro, leva a delegacia e pode levar até ao cemitério. Por isso, se beber não dirija. Principalmente se você for o motorista do trio elétrico.</p><p>Para terminar vou falar agora da única coisa que não gosto em micareta. O banheiro químico. Cá entre nós, eu tenho pavor de banheiro químico. Primeiro, parece que a porta vai abrir a qualquer momento. Segundo, parece que vão derrubar aquele negócio com você dentro e vai voar meleca pra todo lado. Terceiro, banheiro químico é muito pequeno. Se a pessoa for urinar e soltar um pum sem querer ela morre asfixiada. Portanto se não quiser correr riscos desnecessários, dirija-se a moita ao lado.</p><p>E boa micareta para você, ou como dizem por aí, bom carnaval fora de época. Independente da época em que ele estiver acontecendo.</p><p><em>* Rodrigo Oliveira é publicitário e humorista do grupo Humor à Primeira Vista. Leia mais no site <a href="http://www.humoraprimeiravista.com.br"><strong>www.humoraprimeiravista.com.br</strong></a>. Entre em contato com o autor pelo e-mail <a href="mailto:rodrigo@humoraprimeiravista.com.br"><strong>rodrigo@humoraprimeiravista.com.br</strong></a></em></p>]]>
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		<title>"Iê Iê Iê" não funciona no palco</title>
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		<issued>2009-10-26T23:15:22-03:00</issued>
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			<![CDATA[<h2>"Iê Iê Iê" não funciona no palco</h2><p><em>Angelo Davanço*</em></p><p>Arnaldo Antunes lançou um grande disco. "Iê Iê Iê" mostra que, quando não fica preso aos cabecismos da poesia concreta, o ex-Titã faz música da melhor qualidade.</p><p>Partindo deste princípio, se esperava um grande show no último sábado (24), no Theatro Pedro II. Mas não foi bem isso o que aconteceu. "Iê Iê Iê" não funciona no palco. Arnaldo Antunes fez uma aposta arriscada. Escolheu mostrar todas as 12 faixas do novo disco para um público devidamente bem comportado nas cadeiras macias do teatro, que talvez esperasse por algo conhecido.</p><p>Ao ouvir o disco em casa, é possível notar os versos perfeitos de Antunes. "Não me falta cadeira / Não me falta sofá / Só falta você sentada na sala / Só falta você estar" (A Casa é Sua). "Meu bem, o que você pedir eu dou / O que você quiser saber I know" (O Que Você Quiser). Mas no palco, a verdade é uma só. Não rolou.</p><p>O som não ajudou. A voz grave do cantor se perdia pelos cantos. O figurino não ajudou. Arnaldo parecia desconfortável num terninho que parecia ser um número menor que o seu. A concorrência não ajudou. Antunes parecia, em certos momentos, intimidado pela presença de Edgard Scandurra, ex-Ira!, dividindo os aplausos da noite a cada solo de guitarra.</p><p>Por sorte o cenário ajudou. O fundo formado por umas, vá lá, quatrocentas camisetas anos 70 e 80, era um passatempo formidável. Numa corrida de olhos deu pra ver as tradicionais (John Lennon e Ramones), as místicas (Tim Maia Racional) e até as pratas-da-casa (Balas Chita).</p><p>Quando já não se esperava muita coisa, depois de cerca de 50 minutos de show, o baterista Curumim, inconformado com tanta gente sentada, bateu seus tambores chamando o público para a frente do palco e Arnaldo Antunes atacou de "Qualquer Coisa". Aí o show esquentou, mas já era tarde, já era o bis. E todos foram embora como chegaram. Bem comportados. Inclusive a banda.</p><p><em>* fanzineiro e jornalista, necessariamente nesta ordem</em></p><p> </p>]]>
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		<title>Web revela a chatice do cinemão nacional</title>
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		<issued>2009-09-16T08:37:49-03:00</issued>
		<modified>2009-11-04T08:47:49-03:00</modified>
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			<![CDATA[<h2>Web revela a chatice do cinemão nacional</h2><p><em>Delcy Mac Cruz*</em></p><p class="ptl"><img class="ptr" src="http://www.viaribeirao.com/images/zwbfxnit.jpg" alt="corpo ardente_cartaz" />As facilidades de se baixar filmes pela web escancaram o cinema nacional. Durante décadas ficamos sabendo por textos que o Cinema Novo e diretores como Glauber Rocha, Carlos Reichenbach e Walter Hugo Khoury, entre outros, estavam pau a pau com qualquer tendência ou cineasta europeu. Esse tipo de loas sempre pegou muita gente, incluindo eu, um &lsquo;sr.' de 46 anos de idade.</p><p>O pessoal envolvido com tais nomes sempre foi condescendente. Não tinha tempo ruim para eles. A imprensa, os artistas plásticos, o pessoal de teatro. Ninguém nunca foi maluco de criticar as discussões urbanas propostas pelo cineasta Reichenbach, com filmes sempre ambientados na cidade de São Paulo, arredores e litoral paulista.</p><p>E a gente tinha que engolir porque ver tais filmes era impossível. As melhores locadoras, que ainda possuem VHS, só têm um e outro título do Reichenbach e do Khoury - o Glauber é mais bem-servido.</p><p>Pois bem. Qual é a sensação depois de ver pelo menos cinco filmes desses três diretores? De engodo, de enrolação, de comprar gato por lebre. Não vou nunca tirar o mérito do Glauber e, filmes à parte, tinha o tom polemista que muitas vezes superava sua produção - basta ver a briga que teve com o cineasta francês Louis Malle quando seu "Atlantic City" desbancou "A Idade da Terra", do diretor brasileiro, em Veneza. Glauber chamou o vitorioso de fascista pelo filme feito nos EUA, onde o francês já morava. Malle não deixou por menos e disse que Glauber fazia filmes financiados pela Embrafilme, do então governo militar. O saguão do hotel, onde ambos armaram o barraco, quase tremeu.  Era o começo da década de 80.</p><p><img class="ptr" src="http://www.viaribeirao.com/images/otlwyrkw.jpg" alt="opinião pública_cartaz" />Mas para ir direto ao tema desse artigo, não dá, simplesmente não dá. Baixei "Corpo Ardente", de 1966, do Walter Hugo Khoury. O estilo do cineasta está todo lá: mulheres lindas e maravilhosas insatisfeitas, maridos vazios, mundinho rico e cheio de gente inexpressiva. Por fazer filmes assim, Khoury arrumou contra si uma artilharia (falava-se patrulha na época) dos que o acusavam de alienado, de fazer filmes existenciais enquanto o Brasil pegava fogo com a ditadura militar. Bom, "Corpo Ardente" tem uma mulher linda, Barbara Lange, mas e daí? Você fica mais acompanhando a amargura dela, em filmagens bem feitas, sim, mas chatas ao extremo.</p><p>Pulemos para outro filme dessa fase que ninguém quase tinha acesso: "A Opinião Pública", de Arnaldo Jabor, feito em 1967. O cineasta dá voz aos anônimos, que dão opiniões durante todo o tempo. Tá bom. Mas de novo não dá. Parei no meio.</p><p><img class="ptr" src="http://www.viaribeirao.com/images/azxdlzrh.jpg" alt="imperio do desejo_cartaz" />Bom, sobre o Carlos Reichenbach. Em 1980, ele fez "O Império do Desejo". Tudo bem que nessa época estávamos com a pornochanchada mandando ver como alternativa para o cinema brasileiro popular. Mas os filmes do Carlão escapavam de pornôs, ou não assumiam isso. Assim como Khoury, ele sempre inseriu mulheres lindas em suas produções. E, assim como Khoury, muitas vezes fica insuportável. "O Império do Desejo" até vai bem, com a atriz Meiry Vieira como viúva desejada por todo mundo, e tem um casal de hippies (nos anos 80...) que ela dá carona e deixa em sua casa de praia. Mas, gente, no meio aparece um maluco que sai matando as pessoas. Pra que isso?</p><p>O Carlão, que está na ativa, vai querer matar minha pessoa. Mas se o acesso a tais filmes fosse facilitado para qualquer um, certamente eu teria muita gente com opiniões semelhantes às minhas. Tais produções mostram que ter uma ideia na cabeça não basta.</p><p><em>* Jornalista, editor do site <a href="http://www.agroind.com.br"><strong>Agroind</strong></a></em></p>]]>
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